segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os gurus e as modinhas

Estou navegando pelo site da HSM Management, uma organização mundial que diz possuir “o melhor conteúdo de management” para você, meu caro empreendedor. Lendo um artigo intitulado “Você é resistente emocionalmente?” (http://br.hsmglobal.com/notas/55027-voc%C3%AA-e-resistente-emocionalmente-) fiquei impressionado pela facilidade que as modinhas são adotadas e pela falta de critério dos leitores. A palavra da moda é: “resiliência”.

Assim como em inúmeros outros artigos que li nos últimos tempos, aqui o termo "resiliência" não foi corretamente usado. Inicialmente, o autor define como resiliência: "a capacidade de usar a força de uma adversidade a seu favor" para finalizar com: "o que o mercado mais quer são profissionais que tenham resistência a frustrações”. Mas resiliência não é resistência.

Na verdade, resiliência é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de tal deformação elástica. Então não há que se falar em resistência a frustrações, pois o objeto resiliente não resiste, ele se deforma, indo aos extremos da ruptura e retorna ao eixo quando é suspensa a tensão causadora. Além disso, as adversidades não são utilizadas a nosso favor, pois esticamos, nos deformamos, porém, retornamos ao nosso ser essencial. Cessada a tensão, o objeto resiliente volta a forma original e não melhor ou pior.

O conteúdo da matéria me parece mais pertinente ao conceito de Inteligência Emocional: "... capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos." (Goleman, 1998). Aliás, inteligência emocional já foi modinha outrora, assim como calças boca de sino, pogobol e cigarrinhos de chocolate.

Os comentários dos leitores deste artigo que citei mostram bem como uma pessoa é alçada ao posto de guru, mesmo tendo escrito um texto com um erro imperdoável para o nível do veículo. Ao contar sua história de vida (sofrida), o autor foi transformado em ídolo e o conteúdo do artigo foi tomado como verdadeiro pela grande maioria que em momento algum parou para refletir sobre os conceitos que ele expunha.

Sejamos críticos com a informação, mesmo que ela venha de alguém: terapeuta comportamental, urbanista, economista e administrador de Empresas. Pós graduado em Marketing e especialista em gerenciamento de cidades e psicolingüística pela Fundação Napoleon Hill Tecnology (EUA) e que atualmente, é diretor da Escola de Executivos e Negócios Master Mind. Pensar é requisito para empreender, pense nisso.

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